Quando passeamos, fazemos compras ou simplesmente vamos para o trabalho, damos por nós muitas vezes a olhar quem nos rodeia. É verdade que apreciamos quem connosco se cruza: um belo olhar, umas belas pernas, um corte de cabelo giro, um corpo trabalhado, a roupa... enfim, avaliamos de acordo com os nossos gostos. E rimos, brincamos e perguntamos ao outro se quem encontramos lhe agrada.
Vem desde cedo esta postura. Somos olhados de lado porque rimos e brincamos em público de forma descarada, até porque discutimos certas coisas seja onde for. Simplesmente já não conseguimos deixar de o fazer. Vem da força de partilhar, do hábito de colocar as nossas ideias e sentimentos sempre visíveis aos olhos dos dois.
Já muito fantasiámos com pessoas que vimos em restaurantes, cinemas, no supermercado ou nos transportes, sendo transportados pelo constante 'picar' da nossa cara-metade para um momento de pura excitação, simplesmente falando de alguém que fisicamente nos aquece o sangue. Muitos lábios tocados e beijados, muitos vestidos despidos e corpos tocados, acariciados e levados os êxtase tivemos os dois, sem nunca termos sequer metido conversa com um desses desconhecidos. Mas são eles que vão alimentando em alguns momentos a nossa imaginação, peça fundamental da vida. Como em qualquer clube liberal ou vulgar discoteca.
Quantos ou quantas não 'comemos' já com os olhos e 'saboreámos' com a boca sem sequer sabermos quem são? Não nos torna tarados e muito menos abusadores, em especial porque as pessoas vestem-se para se fazer notar, para que essa cobiça surja e possam assim sentir-se desejadas. Até a atenção de quem não nos enche as medidas nos sabe bem intimamente. E a libido vai sendo renovada a

cada olhar, de cada vez que saimos de nossas casas para mais um dia. Não quer isto dizer que dentro de casa não se exercite o mesmo, mas fantasiar com alguém inacessível é demasiado apelativo e sedutor para que deixemos de o fazer.
Afinal, quem sonha e fantasia também toca a felicidade, mas mais de longe... E nem só de pão vive o Homem, a alma também carece de alimento...
E o vosso, qual é?
Até breve!
A & P